Por instinto, vontade de se comunicar ou por prazer, as razões de dançar estão em um só lugar: o cérebro.
Qualquer dança exige movimentos não-perceptíveis em cada passagem
Dançar parece ser um ato tão natural como respirar. E de fato é. Estar em movimento é estar vivo, e usar o movimento para expressar emoções – afeto, temor, raiva, aprovação e recusa – sem outra organização que aquela imposta pela estrutura do corpo e sem orientação além do ritmo é uma das formas mais primitivas de comunicação.
Com o tempo, serviu para atrair espíritos benéficos, exorcizar maldições, potencializar a energia dos astros e a fertilidade da terra.
A mais antiga imagem da dança, datada de 8300 a.C., foi encontrada em pinturas de uma caverna na província de Léria na Espanha. Mostra nove mulheres em torno de um homem despido, indicando ritual de fertilidade. No livro World History of Dance, de Curt Sachs, o autor analisa esse desenho como registro de uma dança primitiva que já prenunciava a mítica encenação do deus Apolo cercado pelas nove musas, segundo as representações dos antigos gregos. Logo, a dança começou a ser associada com magia, ritual, cerimônia, celebração popular e, afinal, como simples diversão. Tornou-se um código sofisticado. Cercou-se de orquestra, cenários, iluminação e trajes de gala. Os movimentos ganharam o rigor e a disciplina de um balé clássico. Foram contestados por aqueles que defendem o instinto e a naturalidade como orientadores das respostas aos estímulos rítmicos e musicais.
Conta-se que, quando perguntaram a Isadora Duncan (1878–1927), uma das mais célebres bailarinas do mundo, em que época começou a dançar, ela teria respondido: "No ventre de minha mãe".

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